14/10/2008 O governo brasileiro não vê limites para o uso das reservas internacionais no controle da desvalorização do real frente ao dólar. Foi o que declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista a TV Bloomberg, em Washington (EUA) . Segundo ele, já foram gastos entre R$ US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões na tentativa de conter a escalada da moeda americana e acalmar o mercado. Esse seria o volume de recursos ofertados ao mercado nos leilões realizados pelo Banco Central até a sexta-feira, dia 10.
Apesar da disponibilidade de recursos, o governo federal fará todo o esforço para afetar os estoques o mínimo possível, como os leilões em que o BC oferece dólares com compromisso de recompra futura. "Não vamos desperdiçar, vamos ser criativos, fazer vários tipos de linhas para preservar as reservas", disse. "Mas se precisar, vamos usar. Espero até que menos de 10%", completou
O ministro se recusou a fazer projeções sobre um valor de equilíbrio do dólar, mas disse que o câmbio brasileiro é flutuante e que o governo não tem um patamar ideal de paridade da moeda. "Como o balanço de pagamentos brasileiro não tem mais tanta exuberância, o real não ficará tão valorizado, mas não haverá overshooting (alta excessiva do dólar)".
Também ontem, Mantega afirmou que da meta do Brasil será alcançar superávit primário de 4,3% em 2009. A disposição da Fazenda é fazer em 2009 o que foi feito em 2008. O objetivo é chegar em 2010 com resultado fiscal favorável. "No mínimo, zerar (o déficit nominal) em 2010 e fazer algum superávit", disse, durante evento em Washington.
Mantega acredita que não "vai haver grandes perdas de arrecadação, mas não vai crescer a 18%, como em 2008". Em conferência organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, ele afirmou que "o gasto combinado com investimento cresce a 11%". Isto significa, continuou Mantega, que "cresce menos que arrecadação". "Se arrecadação cair para 15% ou 14% ainda é situação favorável", afirmou.
"O presidente Lula é muito sensível, conhece economia mais do que vocês imaginam. Procuramos manter programas sociais, mas cortar onde podemos cortar. Não vou anunciar onde, mas vamos esperar qual cenário vai se estabelecer para avaliar onde os cortes serão aplicados", acrescentou.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria