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13/11/2008

Crise financeira lota terminais de contêineres do Porto de Santos

Demorou quase dois meses, mas os efeitos da crise financeira internacional chegaram ao
Porto de Santos. Os terminais de contêineres estão praticamente lotados, atingindo uma
ocupação média de 85%, o que preocupa o setor. Em alguns casos, já há autilização total da
capacidade.
A crise atinge principalmente as importações realizadas pelocomplexo. Com o dólar valendo
R$ 2,22 (cotação do comercial de ontem), as empresas que encomendaram produtos no
exterior esperam uma queda no preço da moeda norte-americana para nacionalizálos, pois
os impostos são calculados sobre a taxa do dia. A estratégia provoca uma superlotação nos
pátios dos terminais de contêineres, onde esses artigos estão armazenados.
A Tribuna apurou que a média de ocupação dos pátios de importação dos terminais de
contêineres santistas está em 90%. Já a das áreas destinadas às mercadorias de exportação
está chegando a 80%. O problema já é visível. Basta passar pelos terminais e conferir que o
empilhamento de contêineres já chega à sexta fileira. Em situações normais, com a taxa de
ocupação entre 60 e 70%, o armazenamento vai até a quarta fila.
O diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo
(Sopesp), José dos Santos Martins, afirmou que, de fato, a capacidade nos terminais está
elevada. Entretanto, ele disse que a expectativa do setor é que os governos do Brasil e o dos
principais países com os quais são mantidas relações comerciais tomem medidas para conter
a moeda norte-americana e, enfim, "restaurar o fluxo de comércio exterior não somente no
Porto de Santos, mas em todo o cenário internacional".
De acordo com o diretor de Infra-estrutura e Serviços da Codesp, Paulino Moreira Vicente, o
represamento dos contêineres no porto existe, porém, a "situação está contornada". Sem
precisar o impacto que a crise poderá causar na movimentação das unidades, ele disse
apenas que "a operação de contêineres não deve ter um crescimento muito grande no
fechamento do ano".
De modo geral, as operações não foram interrompidas. Entretanto, somente estão sendo
desembaraçadas aquelas cargas cuja nacionalização seja essencial para consumo humano e
para uso industrial.
No ano passado, o cais santista movimentou 2,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um
contêiner de 20 pés). No início do ano, a expectativa do setor era de que 2008 fechasse com
um aumento de 10% nas operações, o que não deve se confirmar a partir da turbulência
internacional.
No Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), o pátio para importação já
chegou a 100% de ocupação, afirmou o diretor comercial, Luiz Araújo. Na semana passada
foi mais crítico ainda, quando se alcançou entre 130% e 140% e houve a necessidade de
utilizar as ruas entre as pilhas de contêineres como ponto de armazenagem. No pátio de
exportação do terminal que é parcialmente dividido com as cargas que vão para os
terminais retroportuários , a ocupação é da ordem de 53%.
Segundo Araújo, o tempo de permanência das cargas na instalação dobrou. Antes da crise,
eram 12 horas. Para ele, a normalidade retornará quando o dólar voltar a R$ 2,05.
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13/11/2008 http://atribunadigital.globo.com/bn_print.asp?cod=383816&opr=82
COMMODITIES
Se no mercado de carga conteinerizada a situação é crítica, no setor de commodities, o
momento é de otimismo. As produtoras do País estão aproveitando a alta do dólar para
enviar produtos ao exterior que tradicionalmente não são exportados no último trimestre do
ano.
De acordo com o diretor da Codesp Paulino Moreira Vicente, neste cenário quem ganha força
é o açúcar. Em queda praticamente todo o ano somente nos nove primeiros meses, houve
redução de 13,2% em comparação com o mesmo período de 2007 , o produto pode salvar o
movimento do cais santista.
Apesar de não ter como precisar o quanto já aumentou, Vicente contou que "os navios com
açúcar, e as commodities de modo geral, não páram no porto. Entram e saem com carga o
tempo todo".
No início do ano, a Codesp previu que 2008 atingisse a movimentação de 82 milhões de
toneladas. Logo depois, a expectativa caiu para 81 milhões, quase o mesmo volume do ano
passado. Embora a projeção não tenha sido refeita, o diretor acredita que a movimentação
física "certamente vai crescer".

Fonte:Da Redação / A Tribuna / DIOGO CAIXOTE



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