02/01/2009 O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, disse hoje (2/1), durante entrevista coletiva sobre o desempenho da balança comercial brasileira em 2008, realizada no auditório do MDIC, que o Governo Federal quer manter para este ano o volume de 460 milhões de toneladas exportado no ano passado. E, para isso, Barral conta com o que ele chamou de “criatividade dos exportadores” para conservar a diversificação da pauta e dos destinos dos produtos brasileiros.
Segundo o secretário, diferentemente de anos anteriores, o MDIC ainda não divulgou meta para as exportações para o ano de 2009 em virtude da dificuldade de se estimar o comportamento médio dos preços das principais commodities exportadas pelo País. Entretanto, ele avaliou que mesmo diante de uma possível estagnação no comércio mundial no primeiro trimestre do ano, o dólar mais valorizado favorece a atividade exportadora e aumenta a competitividade dos produtos brasileiros em mercados estrangeiros. "Em média, a alta do dólar tem compensado as quedas de preços que foram verificadas no segundo semestre do ano passado", ressaltou.
Com relação ao comportamento das exportações brasileiras em 2008 e o fato de terem ficado 2% abaixo da meta de US$ 202 bilhões divulgada pelo Governo, Welber Barral destacou os efeitos da crise econômica mundial nesse resultado. Segundo ele, de janeiro a outubro, as exportações acumularam um crescimento de 28% contra 1% verificado em novembro e dezembro. Já as importações, na mesma comparação, registraram alta de 51,6% de janeiro a outubro e de 9% nos dois últimos meses de 2008. “Nesse cenário já afetado pela crise, o que pudemos perceber com os números da balança é que houve, proporcionalmente, uma redução maior das importações que das exportações nos dois últimos meses do ano”, explicou.
Na média anual, as vendas internacionais de produtos básicos aumentaram 39,9% sobre o ano de 2007. Na avaliação do secretário o crescimento das exportações de básicos se deu mais pelas altas dos preços internacionais das principais commodities, no primeiro semestre, do que pela quantidade embarcada. Apesar de terem somado o maior crescimento das exportações no ano, os produtos básicos responderam por 36,9% dos embarques brasileiros contra 60,5% dos produtos industrializados.
O crescimento das exportações brasileiras para países em desenvolvimento, ao longo de 2008, também influenciou positivamente a balança comercial de 2008, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC (Secex). Os números mostram que houve um incremento de 47,5% nas vendas brasileiras para países asiáticos; 23,8% para os outros países do Mercosul; 24,4% para o Oriente Médio e 28% para a Europa Oriental.
Para o primeiro trimestre de 2009, as expectativas são de que as exportações devam apresentar comportamento semelhante ao verificado nos últimos dois meses do ano passado, quando, por exemplo, as vendas de petróleo, mesmo tendo apresentando queda de 33,6% nos preços em relação a 2007, registraram alta de 5,6% no valor exportado em virtude da elevação da quantidade embarcada. Outros produtos também apresentaram alta na quantidade exportada, foi o caso de açúcar (+28,6%), café (+27,7%), soja em grão (+7,2%), tubos de ferro e aço (+74%) e etanol (+80,7%).
De acordo com o levantamento feito pela Secex, o segundo semestre de 2008 apresentou uma média de preços de commodities menor que a verificada no primeiro semestre, porém, na média, os valores ainda estão acima dos praticados em 2007.
Importações
Sobre as importações brasileiras, o secretário de comércio exterior destacou as compras de bens de capital que cresceram 41% ao longo de 2008 e a importância das compras de matérias-primas e bens intermediários, cujo aumento foi de 38,6%. “A pauta de importação brasileira é muito madura. Nossas importações de bens de consumo não duráveis cresceram menos que outras categorias importantes como os bens de consumo duráveis, bens de capital, matérias-primas e bens intermediários. Isso é importante por que mesmo em tempos de crise verificamos um aumento substancial em importações que significam investimentos no parque industrial brasileiro”.
O peso da variação do preço do barril do petróleo ao longo de 2008 também foi outro ponto que influenciou muito a balança comercial em 2008. No ano, a participação de petróleo e derivados somou 18,2% dos US$ 173,2 bilhões desembarcados no Brasil.
Ao longo de 2008, foram observados crescimento de importações de diversas origens, com destaque das compras do Oriente Médio (+ 92,1%) e da Europa Oriental (90,7%), que segundo o secretário Barral, refletiram as altas dos preços de petróleo e de fertilizantes.
Superávit
Em 2008, o superávit comercial somou US$ 24,735 bilhões – resultante de exportações de US$ 197,9 bilhões e importações de US$ 173,2 bilhões – menor valor desde 2002, quando o saldo foi de US$ 13,122 bilhões.
fonte:http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=5¬icia=8802